A escalada dos ataques ao mercado de criptoativos e o avanço da regulação brasileira colocam a proteção de chaves criptográficas, a segurança das transações e a governança da custódia digital no centro das decisões estratégicas das instituições financeiras.
O mercado de ativos digitais enfrenta um dos períodos mais críticos de sua história.
Segundo levantamento da TRM Labs, aproximadamente US$ 8,7 bilhões em criptoativos foram subtraídos em ataques cibernéticos até outubro de 2026, um recorde histórico. O valor representa perdas brutas estimadas, que podem incluir recursos posteriormente recuperados ou congelados. Nesse contexto, cresce também a necessidade de as instituições manterem o controle direto sobre os ativos e a infraestrutura responsável por sua custódia.
A dimensão financeira dos incidentes revela um cenário preocupante: enquanto o mercado amplia suas operações com criptomoedas, stablecoins e ativos tokenizados, a sofisticação das ameaças também avança. Para bancos, exchanges, custodiantes e instituições que movimentam ativos digitais, o alerta é claro.
O crescimento do mercado precisa ser acompanhado por uma evolução proporcional da infraestrutura de segurança. E essa evolução passa, necessariamente, por uma estratégia de custódia digital capaz de proteger não apenas as chaves criptográficas, mas todo o processo de autorização e movimentação dos ativos.
Os riscos da custódia digital vão além do vazamento de chaves criptográficas. Quando se fala em ataques envolvendo criptoativos, é comum associar os incidentes ao roubo de chaves privadas. Embora a proteção dessas chaves seja fundamental, a superfície de ataque é muito mais ampla.
Uma operação pode ser comprometida por credenciais privilegiadas, vulnerabilidades em aplicações, falhas em integrações, comprometimento de dispositivos ou fragilidades nos processos de autorização. Em outras palavras, uma chave criptográfica pode permanecer tecnicamente protegida enquanto um sistema comprometido consegue induzir ou executar uma movimentação não autorizada.
Os ataques recentes demonstram a importância de avaliar toda a cadeia operacional que sustenta uma transação. Para instituições responsáveis por ativos digitais de alto valor, isso significa estabelecer controles sobre:
- Identidades e credenciais com acesso aos ambientes críticos.
- Geração, armazenamento e utilização de chaves criptográficas.
- Preparação e validação das transações.
- Autorizações e segregação de responsabilidades.
- Assinaturas criptográficas.
- Monitoramento, rastreabilidade e auditoria das operações.
- Controle da infraestrutura e dos mecanismos que autorizam a movimentação dos ativos.
A segurança de um ativo digital depende tanto da proteção de sua chave quanto da governança sobre quem pode utilizá-la e em quais condições.
Hot Wallet e Cold Wallet: arquiteturas diferentes para riscos diferentes
Uma das decisões mais importantes na estruturação de uma operação com ativos digitais é definir quanto do patrimônio precisa permanecer conectado à rede. Essa escolha determina parte da exposição da instituição a ameaças cibernéticas. Para uma instituição custodiante, isso significa também assegurar que o controle efetivo dos ativos permaneça sob sua responsabilidade.
- Hot Wallet: agilidade para operações frequentes
As chamadas Hot Wallets operam em ambientes conectados, permitindo transações rápidas, integração com plataformas digitais e disponibilidade para movimentações constantes. São fundamentais para atividades que exigem liquidez e processamento contínuo.
Entretanto, essa conectividade também amplia a superfície de ataque, tornando indispensáveis controles rigorosos de acesso, monitoramento e autorização.
- Cold Wallet: maior isolamento para ativos críticos
A custódia fria utiliza ambientes isolados da infraestrutura conectada para proteger chaves privadas e realizar operações criptográficas sensíveis. Essa separação reduz a exposição direta das operações de assinatura a ameaças originadas na rede.
Em uma arquitetura institucional, a combinação de Hot e Cold Wallets permite equilibrar a necessidade de movimentação com os diferentes níveis de proteção exigidos pelos ativos.
Uma instituição pode, por exemplo, manter 95% dos ativos sob custódia em COLD, reservando uma parcela menor em HOT para atender às necessidades de liquidez e movimentação. Essa proporção deve ser definida conforme o perfil operacional e as políticas de risco da instituição.
A estratégia não consiste em eliminar a conectividade, mas em restringi-la às operações que realmente necessitam dela.
Para ativos de maior valor ou criticidade, a custódia fria representa uma camada adicional de segurança e controle.
Custódia fria institucional: por que uma Cold Wallet tradicional não é suficiente?
Em uma operação individual, a proteção de uma carteira pode estar concentrada em poucos mecanismos de segurança. No ambiente institucional, a realidade é diferente. Uma transação pode envolver milhões de reais ou dólares, diferentes profissionais, áreas responsáveis, políticas internas e exigências de conformidade.
Nesse cenário, proteger a chave privada é apenas uma parte do desafio. É necessário estruturar um processo que estabeleça quem pode solicitar, conferir, aprovar e executar cada operação. Também é fundamental que a instituição mantenha autonomia sobre essa infraestrutura e sobre os mecanismos que efetivamente controlam a movimentação dos ativos.
Uma arquitetura de custódia fria institucional deve considerar mecanismos como:
- Proteção criptográfica em HSM: utilização de hardware especializado para gerar e proteger as chaves privadas e executar operações criptográficas.
- Assinatura offline: execução das assinaturas em ambiente isolado da rede, reduzindo sua exposição a ataques remotos.
- Aprovações múltiplas: estabelecimento de quóruns de autorização com processos manuais, impedindo que movimentações críticas dependam exclusivamente de uma única pessoa.
- Validação independente: conferência das informações da transação antes da assinatura, reduzindo o risco de autorização de operações não desejadas.
- Auditoria e rastreabilidade: registro das atividades para apoiar a governança, a investigação de incidentes e a prestação de contas.
- Controle da infraestrutura de custódia: capacidade de operar e administrar diretamente os ambientes, as chaves e as políticas de autorização, sem depender de um prestador externo para executar ou autorizar movimentações.
Esses controles transformam a custódia fria em um processo institucional estruturado e documentado, com segurança aplicada em diferentes etapas da operação.
Regulação das PSAVs: o Banco Central amplia as exigências de segurança e governança
A evolução regulatória brasileira torna essa discussão ainda mais relevante.
As Resoluções BCB nº 519 e nº 520, de novembro de 2025, estabeleceram regras para autorização, funcionamento e prestação de serviços de ativos virtuais, com vigência iniciada em fevereiro de 2026.
Para prestadoras já atuantes e sujeitas ao regime de transição, o prazo para apresentação do pedido inicial de autorização ao Banco Central encerrou-se em 30 de outubro de 2026.
Outro marco relevante ocorre em 6 de novembro de 2026, quando passam a produzir efeitos restrições específicas a operações entre instituições autorizadas pelo Banco Central e prestadoras de serviços de ativos virtuais não autorizadas, observadas as exceções regulamentares.
Entretanto, as obrigações das PSAVs vão muito além do processo de autorização. A Resolução BCB nº 520 prevê responsabilidades relacionadas a controles internos, segurança cibernética, gestão de riscos, continuidade dos negócios e proteção dos instrumentos de controle dos ativos virtuais.
Entre os aspectos que merecem atenção estão:
- Geração, guarda e proteção de chaves privadas.
- Gerenciamento de identidades e controle de acessos.
- Políticas e procedimentos de custódia.
- Segregação de funções e controles operacionais.
- Monitoramento de riscos e resposta a incidentes.
- Governança e segurança da infraestrutura tecnológica.
Um princípio importante desse novo ambiente regulatório é que a utilização de fornecedores de tecnologia não elimina as responsabilidades da instituição pela segurança e pela custódia dos ativos de seus clientes. Por isso, torna-se estratégico avaliar quem efetivamente controla as chaves privadas, quem autoriza as transações e qual o grau de dependência de infraestruturas e prestadores externos.
A regulamentação não determina a contratação de uma solução específica de custódia fria. A instituição deve avaliar e implementar controles compatíveis com seu modelo de negócio, seus riscos e as exigências aplicáveis.
A conformidade regulatória exige políticas e processos. A confiança institucional exige que esses controles também sejam sustentados por uma infraestrutura tecnológica segura. Nesse cenário, soluções de custódia institucional ganham relevância como parte da estratégia de gestão de riscos e proteção dos ativos digitais.
DINAMO Cold Station: custódia fria com segurança criptográfica e governança institucional
A DINAMO Cold Station foi desenvolvida para instituições que precisam custodiar ativos digitais de alto valor ou criticidade em uma arquitetura offline, com mecanismos avançados de proteção e controle.
Mais do que uma Cold Wallet tradicional, a solução permite estruturar um processo institucional de custódia, combinando tecnologia criptográfica e governança operacional.
Sua arquitetura reúne cinco pilares fundamentais.
1. Proteção de chaves criptográficas em HSM
A DINAMO utiliza sua tecnologia HSM para proteger a geração, o armazenamento e a utilização das chaves privadas.
As operações criptográficas são executadas dentro do ambiente protegido do HSM, sem necessidade de exposição das chaves privadas à aplicação.
2. Arquitetura Air-Gapped e assinatura offline
A Cold Station permite realizar operações de assinatura em um ambiente isolado da rede.
Esse modelo reduz significativamente a superfície de ataque sobre as operações mais críticas de custódia, envolvendo operações manuais para cada transação.
3. Governança com aprovações múltiplas
Por meio de mecanismos M de N, a instituição pode definir quóruns de pessoas mínimas para autorização de movimentações.
Uma transação pode, por exemplo, exigir três aprovações entre cinco responsáveis previamente definidos, conforme a política de segurança estabelecida.
4. Validação independente das transações
O mecanismo WYSIWYS (What You See Is What You Sign) permite que as informações da transação sejam conferidas visualmente antes da assinatura.
Dessa forma, a instituição fortalece os controles destinados a assegurar que o conteúdo aprovado corresponda à operação efetivamente assinada.
5. Rastreabilidade e auditoria
A solução oferece registros das operações, apoiando os processos de monitoramento, auditoria e governança institucional.
Com esses recursos, a Cold Station contribui para transformar a custódia digital em um processo controlado, rastreável e compatível com operações de elevada criticidade.
Uma infraestrutura de custódia segura também exige maturidade operacional
Mesmo tecnologias avançadas de proteção criptográfica precisam ser acompanhadas de processos consistentes. A implementação de uma estratégia institucional de custódia deve considerar a classificação dos ativos por criticidade, os limites de exposição, as políticas de autorização e os mecanismos de continuidade operacional.
Também é importante estabelecer procedimentos de recuperação, gestão de incidentes, revisão de acessos e treinamento dos profissionais responsáveis pelas operações.
A adoção de uma arquitetura offline, por si só, não elimina todos os riscos. Entretanto, quando combinada com HSMs, validação independente, aprovações múltiplas e governança, pode reduzir significativamente a exposição de operações críticas.
A segurança institucional é resultado da combinação entre tecnologia, processos e responsabilidade.
O futuro dos ativos digitais depende da confiança na custódia
A dimensão dos ataques registrados em 2026 representa um alerta para todo o mercado. O avanço da tokenização, a ampliação dos casos de uso de stablecoins e o amadurecimento regulatório estão criando novas oportunidades para instituições financeiras e empresas de tecnologia.
Mas essas oportunidades também exigem uma evolução na forma como os ativos digitais são protegidos e movimentados.
As organizações precisarão demonstrar não apenas capacidade tecnológica para operar nesse mercado, mas maturidade suficiente para gerenciar riscos e proteger ativos sob sua responsabilidade.
Com mais de duas décadas de experiência em criptografia e tecnologia própria de HSMs, a DINAMO apoia instituições na construção de infraestruturas de segurança para operações críticas.
A DINAMO Cold Station integra essa estratégia ao combinar proteção criptográfica, custódia offline, governança de autorizações e rastreabilidade. Com uma infraestrutura própria, a instituição preserva sua autonomia operacional e o controle sobre os ativos sob sua responsabilidade, sem depender de terceiros para a execução das operações críticas de custódia.
O mercado de ativos digitais não pode crescer mais rápido do que a segurança que o sustenta.
Proteja seus ativos digitais com uma estratégia de custódia institucional
Sua instituição pode fortalecer a proteção de chaves criptográficas, reduzir a exposição de operações críticas e estabelecer processos de custódia com maior controle e governança.
Conheça a DINAMO Cold Station e converse com nossos especialistas.
Perguntas frequentes sobre custódia fria institucional
O que é custódia fria institucional?
É uma estratégia de proteção de ativos digitais que combina ambientes isolados para operações criptográficas com políticas de autorização, segregação de responsabilidades, governança e auditoria.
Qual é a diferença entre Hot Wallet e Cold Wallet?
As Hot Wallets operam conectadas à rede e são utilizadas principalmente para transações frequentes. As Cold Wallets utilizam ambientes isolados para reduzir a exposição das chaves e das operações de assinatura.
Qual é a função do HSM na custódia de ativos digitais?
O HSM oferece um ambiente protegido para geração, armazenamento e utilização de chaves criptográficas, contribuindo para evitar sua exposição e fortalecer a segurança das operações.
O Banco Central exige custódia fria para PSAVs?
A regulamentação estabelece requisitos de segurança, governança e proteção dos instrumentos de controle dos ativos virtuais. A arquitetura de custódia adotada deve ser compatível com os riscos e as obrigações aplicáveis à instituição, não havendo exigência geral de contratação de uma solução comercial específica.
Quais empresas podem utilizar a DINAMO Cold Station?
Bancos, exchanges, custodiantes, corretoras prestadoras de serviços de ativos virtuais e outras organizações que necessitam de mecanismos institucionais de proteção, autorização e governança para ativos digitais críticos.